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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu imóvel foi danificado pelas chuvas fortes de verão. Posso pedir indenização?

Mais uma vez, milhares de pessoas no Brasil foram vítimas das fortes chuvas que se intensificaram recentemente, nos meses de dezembro e janeiro. Não se comenta aqui as perdas de parentes e amigos, mas, apenas as perdas materiais decorrentes de tais fenômenos.

É possível, a um custo ainda pouco atraente, contratar o seguro do seu imóvel com o adicional para reparar danos decorrentes de fatos como alagamentos, desmoronamentos e vendavais. Segundo Paulo Umeki, diretor de produtos da Liberty Seguros, para uma apólice de cobertura padrão com valor segurado de R$ 300.000 (trezentos mil reais), o prêmio anual do seguro seria de R$ 800 (oitocentos reais) aproximadamente. Para o mesmo imóvel, e adicionando a cobertura para alagamento, ao prêmio anual deve-se somar, em média, R$ 3.000 (três mil reais), o que se mostra bastante elevado.

Enchentes desvalorizam imóveis em até 30%, mas recuperação é rápida

No verão, estados de alerta na cidade de São Paulo devido às chuvas são constantes. E não são poucos os bairros e regiões que sofrem com as enchentes. Nesse cenário, o mercado imobiliário tem dificuldade de comercializar nessas áreas e o preço dos imóveis afetados chega a cair até 30%.
“Toda região onde há enchente há desvalorização”, afirma o presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto. Além da desvalorização, a dificuldade de comercialização aumenta. “Nessas regiões, a liquidez é menor, mesmo quando não há chuvas”, diz.

Na avaliação do presidente do Creci-SP, independentemente do imóvel ser novo ou velho, a desvalorização ocorrerá. Contudo, os impactos são mais profundos em imóveis maiores. “De qualquer maneira, vai ter desvalorização”.
 
Recuperação

Durante as chuvas, a demanda por imóveis em áreas que ficam alagadas constantemente registra forte queda. Contudo, assim como o valor, a procura se recupera em pouco tempo. “Depois de 120 dias, o pessoal já esquece e o mercado volta ao normal”, acredita Viana.
No longo prazo, Viana acredita até que possa ocorrer uma valorização das unidades, devido às perspectivas de melhorias na região. "Mas, para quem pensa em alugar, é fundamental se informar sobre os riscos de enchentes, pois as perdas com alagamentos ficam a cargo do inquilino", alerta.
Para ele, mesmo com todo esses estados de atenção, ainda que o mercado tenha dificuldades de fluir em muitas áreas afetadas pelas chuvas, ele não para totalmente. “Em cidades como São Paulo, os negócios não param”, afirma.
Essa movimentação deve-se, em grande parte, aos valores dos imóveis nessas regiões, mais baratos que nas áreas mais centrais. “Existem famílias que acabam adquirindo esses imóveis porque o preço acaba sendo o grande atrativo”, considera.
 
Vendas

De acordo com os dados do conselho, 256 apartamentos e casas usados foram vendidos na capital paulista em dezembro do ano passado pelas 509 imobiliárias consultadas pelo conselho.
A maioria das vendas se deu por financiamento - 53,18% do total -, sendo que 31,75% foram contratados na CEF (Caixa Econômica Federal) e 21,43%, em outros bancos. Já 1,19% das vendas ocorreu diretamente com o proprietário e 0,40%, por meio de consórcio. Já as vendas à vista totalizaram 45,24%.